quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Argo

Vi. Vê-se. A meio, pensei em ir ler um livro. Lutei contra e acabei por apreciar o fim. Não é espectacular em nada. Continuo a achar que o Ben Affleck é choco, é pão sem sal!
Mas faz jus ao anuncio do filme: The movie was fake, the mission was real! 



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

inquietação

Acho que estou num fase Urânio. Com um grande desejo que esteja a atingir a minha fase de Chumbo para deixar de decair, ao longo de uma eternidade.
Chumbo nem vê-lo. O tempo não ajuda, cinzento, frio e muito pouco convidativo a grandes desejos.
Alento-me com filmes, música, contemporâneo, mas continua a faltar qualquer coisa.
Chuva, baza! Quero correr. É terapêutico,  com tantas guerras que travei, já não sei fazer as pazes! 



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

gays, um tópico ambíguo

Isto da homossexualidade, ás vezes torna-se aborrecido, mal entendido e ofensivo sem intenção.
Eu posso dizer com orgulho que tenho amigos homossexuais, e uma amiga que apesar de nunca o ter confirmado, também me parece que opta pelo mesmo género, principalmente a partir do momento em que me deu a a mão, beijou-a e tentou correr comigo no meio do parque aquático de Gent (era verão). 
Para não confirmar a minha teoria em mim mesma, mandei-nos à agua, acabando com o elo de ligação: as mãos.
Tenho um primo, que apesar de várias tentativas de o negar, não consegue afastar teorias sobre ele. 
O meu padrinho de praxe, tentou negar, tentou o Bissexual  (por alguma razão ele achava que de alguma forma era menos depreciativo a meia verdade) e depois afirmou-se homossexual, o que me agradou muito mais Deu o grito de Ipiranga dele. Conheci dois namorados dele, um era o homossexual que os heterossexuais não aceitam: bichas. Não me irritava, enervava, nada disso, a cima de tudo divertia-me o jeito dele. O segundo namorado era super discreto, nunca o adivinharia.
Em Gent conheci o meu gayhusband que eu amo, que é meu amigo e que vai ser sempre uma special edition. Não me apercebi que era, até ele o confessar, completamente bêbado. Achei graça a tudo, e que fazia sentido muitas das situações que eu até ali achava estranho, como a necessidade de ele se esconder na nossa amizade. Ficamos ainda mais amigos, mais chegados, e eu aprendi a percebe-lo, com menos preconceitos.
Depois dele vi o acontecimento da Ale de mãos dadas como, aprendizagem e não ser rude. Educadamente e sem escândalos mostrei que não havia problema ela ter tentado, mas que não passava disso, de uma tentativa.
 Apesar de perceber muito bem que não é fácil, que muita gente não percebe, brincar com isso magoa mais do que o bem que faz à maioria deles, porque ainda não sabem rir deles mesmos. Eu que me riu de mim mesma, esqueço-me que não dá, não se pode dizer gay ou "viste aquela cena, que gays!" num espaço onde há um gay e ele não me conhece, que não sabe que eu não tenho nada contra, porque eles são o que gostam de ser, com meio mundo a condena-los, inclusive eu, quando faço esse tipo de comentários. É um assunto ambíguo  difícil de saber-se lidar. Eu gosto de brincar com o assunto não de magoar sentimentos:

- E no Drácula, que cena mais gay, não foi C? Ó C? Diz lá foi ou não, até comentamos!
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Ela olhava-me e em pânico,  mexia apenas os olhos para o meu lado esquerdo. 
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Percebi que estava lá o V. Que situação pensei eu. Tentei emendar o que não tinha emenda.

- E a solista, falhou mesmo à descarada, até eu percebi. Que cena... Bem, vamos?

Senti-me mal, ele não é assumido aqui, e não me conhece.
(Bolas! Epic Fail!)

Sou desbocada, brincalhona,, tenho um humor negro que nem toda a gente aprecia, mas não sou preconceituosa assim. Ainda por cima eu gosto dele, acho-o divertido. E achar-me inconveniente é justo, mas colocar-me na lista negra não.
Já estava na hora de eles saberem gozarem com eles próprios, não dá para censurar este meu cérebro que foi capaz de dizer que o "Sassetti morreu na praia, literalmente" quando me contaram que o senhor morreu na falésia, quase a terminar o seu último trabalho. 

PS: Peço desculpa V, mas olha, divertiu-me a cena, que posso eu dizer mais?


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

40 anos, somos filhos dos patos

Era uma vez a Pi e o Ni. A Pi era despachada, decidida, melodramática nas horas vagas e prática na hora da verdade. Era de riso fácil, lágrima demasiado fácil e teimosa. O Ni era sonhador, alegre, falador, esperto, activo e pouco prático. Era de riso fácil, lágrima demasiado fácil e muito preguiçoso. 
A Pi teve um berço de palha e o Ni um emprestado de linho. A Pi deixou a escola ao 9 anos para ajudar a casa, tornou-se sopeira, cuteleira e mais tarde e para sempre, costureira. O Ni estudou, quando começou a trabalhar foi para ser serralheiro mecânico, profissão em extinção, lembra ele. A Pi ajudou os pais com 15 filhos, dos quais 7 nunca chegaram à idade adulta. O Ni teve dois irmãos, a menina também não vingou.
A Pi era da aldeia. O Ni era da cidade. 
Cruzaram-se na cutelaria entre as máquinas e deixaram os destinos cruzarem-se, naquilo que tudo implica: bom, mau, daquele dia até hoje. A Pi e o Ni fazem 40 anos de casados, hoje.
Com 24 anos casaram, num dia de chuva tenebroso. Os primeiros anos de casados foram como o dia da boda, cheio de nuvens negras, lágrimas e maus agoiros. Felizes de se amarem, quebrados por perderem dois filhos em quatro anos. Quem os olha e contemplas-lhe a alma vê as lágrimas vertidas, os dias negros, as horas más de enterrar dois anjinhos. Quem os vive vê a alegria de saber viver e a força que os une ao mundo. 
O sol decidiu sorrir-lhe, já bastava de escuridão. Aos 28 anos nasceu o menino de oiro, aos 31 o pirata e aos 38 a boneca. 
O menino de oiro é bom e mole, o pirata é tímido e travesso e a boneca sou eu. São meios que parecidos entre eles. 
Hoje o Ni e a Pi vivem a dois, livres das imposições e obrigações, são reformados.
Cresceram a dois, prosperaram a dois, sofreram a dois, são felizes a dois. Vivem um para o outro. 
Hoje foram ver o mar, uma das coisas que gostam a dois. 
O Ni a Pi eram dois patos animados, a mãe Pata era a Pi e o pai Pato o Ni e tinham Patinhos, davam no tempo da televisão a preto e branco, foram inspiração!
Eram felizes. A Pi e o Ni tem patinhos e são felizes, como os da televisão. 
O final feliz é cada dia que eles vivem assim: a dois com os Patinhos sempre por perto: o Quim, o bom rapaz; o Jonas, o secretário e a Catarina de Bragança, a nininha. Andamos sempre por perto, porque apesar de Pata, a Pi é mãe galinha.
Somos Patos, com ideias de gente!

domingo, 20 de janeiro de 2013

Silver Linings Playbook

Wow, que loucura, que loucos! Que fofos! Que mamas, confirma-se portanto! Queria um estúdio como o dela. Que queridos! Muito improvável! Foi fácil de se ver, até me arrancou uma lágrima e uns risos..Gostei!

Victor Hugo pode muito bem estar desconfortável

Ontem afirmei em voz alta: musicais não!
Honestamente, não gostei. Não há forma de eu me envolver no filme com actores a cantarolar o tempo todo. Não há forma de eu me prender à personagem. Sentir-me lá.
Vá, minto. Senti-me no filme duas vezes. A primeira sensação de estar no filme foi com Anne Hathaway, quando ela em 5 minutos de grande plano sobre a dor e desgaste do sonho dela, com I dreamed a dream, teve-me lá, na dor dela. Talvez essa grande performance seja suficiente para explicar a nomeação para melhor atriz secundária, mas eu tenho as minhas dúvidas que não haja alguém mais merecedor, afinal ela está presente apenas em 40 minutos de filme. 
A segunda vez foi com Samantha Barks, no dilema de entregar a carta, a lucidez como ela canta a ilusão do amor dela. 
No final, juntando tudo, fazendo contas, não, não entendo o alarido do filme. O que despertou em mim foi mais curiosidade em ler a obra, porque o filme foi excessivamente aborrecido. Muitos atropelos de acontecimentos, já para não falar da facilidade como Jean Valjean tem uma facilidade em desaparecer e ser encontrado por Javert.
Gostei da banda sonora, da produção e do esforço de cantar durante as filmagens. 
O resto ou de resto, faltou poder de encaixe, meu ou do filme, não consegui perceber. 


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

a bit windy

Ele ainda a consome. Ainda a consume. Ainda emerge no dia, do meio do nada. Ainda o vê. Ainda se ouve a falar-lhe. Ele ainda a consome. Ele ainda a consume.
Ela voltou a agarrar o dia. Ela voltou agarrar-se aos medos. Não faz mal, ela sabe que nem tudo o vento levou. Ficou ela. Ele é que voou e perdeu-se dela.