sábado, 29 de dezembro de 2012

Reflexão: O sr. 2012 (com banda sonora)

De uma maneira, sem muito elaborar o texto, a reflexão (musical) vem em forma de lista disfarçada:

«1 de Janeiro de 2012 tinha ela os pés em Londres e um corpo cansado de uma passagem de ano de frente para a London Eye, rodeada de amigos internacionais que viveram com ela uma das melhores fases que ela tem memória. 
Depois de Janeiro, entrou na casa de estranhos e adorou Mi casa es tu casa. Veio o que se segue, o Fevereiro e por aí fora, e sem esquecer, um acidente de carro no Carnaval. 
Fecha os olhos e tenta lembrar-lhe o que a marcou ainda mais. Foi Maio, de pulseira de luz rosa no pulso, as primas em cada braço, rumou ao Dragão para dançar, cantar e apanhar a molha da vida dela.
Lembra-se de ter visto amigos que já não via à muito tempo, de estreitar laços com outros e fazer novos amigos. Lembra-se de ter entrado na loucura de ser uma La Fura dels Baús e como amou a adrenalina de estar a 60m de altura com o mundo ao contrário. Lembra-se de ter sido um ano de muita música, como não teve outro. Esteve Alive em Oeiras entre amigos e como saltou! Lembra-se do Manta.
Lançou-se a Barcelona com a M., viu o Dani e a Ale e banhou-se no mediterrâneo pela primeira vez.
Fez a maratona de series com a M. e a Lu, no sofá ao sabor de Lost.
Setembro foi o mês errado, de equívocos, nada de bom aconteceu por lá. 
Outubro o mês dela, juntou os amiguinhos e fez a festa! 
Depois veio o Novembro e o Dezembro cheio de amigos e com muito J. à mistura. 
Sr. 2012 foi bonzinho na grande maioria dos 365 dias e Freckles agradece. Quer abrir asas e voar mais.»

"Caminhante, as tuas pegadas
São o caminho e nada mais;
Caminhante não há caminho,
O caminho faz-se ao andar.
Ao andar faz-se o caminho
E ao olhar-se para atrás,
Vê-se a senda que jamais,
Se há-de voltar a pisar.
Caminhante não há caminho,
Somente sulcos no mar." 
 A.M.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Només #3

"Subimos os dois e ela ia feliz a contemplar a vista e a perguntar-me o que era aquilo pequeno, se era ali o Arco do Triunfo, isto e aquilo. Atingimos o topo! «Já viste que lindo! Que lindo! Mas custa chegar aqui. É quase como uma curta-metragem da vida. Começamos excitados com a ideia de subir, vamos sentindo desânimo com a ideia de sucessivas escadas e a dada altura, atingimos o topo de nós e tudo é perfeito.» Tinha um sorriso maravilhoso e eu contemplava-a! Gostei de ver o bom momento que ela vivia, notava-se claramente que estava feliz e mais madura, ciente de si mesma.
Dei-lhe a mão e ela encostou a cabeça ao meu pescoço. Estivemos ali uns minutos apenas a ver Paris, sem nada dizer, em silêncio connosco, a sentir-mo-nos bem.
Começava a acumular-se gente e já estava a ficar caótico o espaço e ela olhou-me e eu percebi que era um “vamos”. Descíamos as escadas e ela ia a cantarolar La vie en rose a música que ouvimos pelas ruas, aquelas para turistas que os Parisienses tocavam de acordeão e eu parei a rir-me. Ela rodopiou de sorriso nos lábios. Alcancei-a e segurei-lhe a magra cinta. Ela encostou a testa na minha testa, o nariz dela no meu nariz e num movimento balançado das nossas cabeças, beija-mo-nos. Foi como no primeiro beijo, devagar, devagarinho e sentido. As mãos dela estavam a passar-me levemente pela nuca e eu tinha-a bem segura em mim. Levamos um encontrão forte de um turista e larga-mo-nos. Olha-mo-nos e sorrimos, voltamos a encostar as testas e Cármen agarrou-me na mão e puxou-me. Descemos as escadas numa correria e risadas, parecíamos os dois adolescentes de 16 anos, a descer os Clérigos em dias de cortejo académico. "

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Há dias que perdemos a cabeça

Hoje dormiu melhor, foi o cansaço, foi resignação e essencialmente porque decidiu que tinha de ser. 
Hoje vai sentir que o dia 4 está mais perto e o resto do ano sem a Fenfa é uma certeza. 
Hoje não quis sair da cama. Hoje já deu um pontapé no carro e no suporte do papel. Hoje já mandou o Cão calar. Hoje não respondeu ao Calçadas. Hoje já se chateou com as células. Hoje já quis partir tudo.
Hoje é dia de perder a cabeça, porque houve um dia que a deixou muito envergonhada. Hoje sabe-o! Hoje não é um bom dia. Hoje é dia de ir dormir, assim que conseguir.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Remake do "3"

«Ela  não se lembrava exactamente  mas sabia que já o tinha usado uma vez. Procurou. Encontrou.
A 30 de Julho de 2012 escreveu sobre os "3 dias". Lembra-se como se fosse hoje do que sentiu quando ouviu a teoria pela primeira vez.
Lembra-se que decidiu desde o primeiro momento que teria de adoptar tal teoria. Adoptou-a.
Adopta as coisas que lhe podem vir a ser úteis, como quem guarda trunfos para usar em sua defesa e sanidade mental.
Em Julho usou a carta, hoje não se lembrava porquê.
Por repensar demasiado as coisas, usas os flashbacks ao jeito de Lost para sossegar a alma. Viu-se lá: estava sentada ao lado dele, no chão a ouvir Russian Red embalada no doce o momento de simplesmente estar. Marcou-a.
Levou-lhe 3 dias para exteriorizar e voltar a ter a realidade ajustada.

Voltou a falar tão recentemente nisso.... Que quando deu o pior presente de natal que alguma vez imaginou ainda por cima a ele, sentiu as horas negras voltarem-lhe.
Sendo ela o Pai Natal dos que estão no coração dela, deu um tiro no próprio pé, sabe disso. Dói! Doi-lhe lembrar-lhe o olhar dele na estrada, longe dela, triste.
Não pára de voltar lá, aquelas horas. Não pára de se sentir lá protegida nos braços dele mas a perceber o abandono que se seguia.

Voltou ao que um dia ouviu:

«“I heard in one of these lectures about an experiment where they give guys a pair of glasses that make them see the whole world upside down, but after three days, guess what? They see everything right side up. And then they’d take off their glasses and they see everything upside down again. For three days. And then Eureka, back to normal.


- Yes, it takes the brain three days to adapt.

…


- Three days…three days for the world to turn right side up again.”»



Espera que o  turn right side up seja melhor que o da última vez.»


Natal #3

Ainda se batem palmas, o tom e as conversas ainda são para o pequenino. Palavras simples, risos, incentivos e brincadeiras. Há restos de papeis de embrulho e caixas vazias aqui e ali. Carrinhos, muitos carrinhos! Brinquedos de todas as espécies e feitios. Doces, petiscos e migalhas por todo o lado. Ainda há natal aqui. O pequeno S. destruidor salta, grita e brinca, ele faz o natal sozinho e nós senti-mo-nos mais pequeninos com ele. Deixamos a euforia entrar-nos na pele e sermos capazes das mesmas brincadeiras adequadas aos pequeninos 2 anos dele.
A melhor parte é ele saber que eu consigo ter a idade dele, ser o braço direito dele no micro-terrorismo, na soneca da tarde e nas brincadeiras com carrinhos. Somos os pequeninos da casa e fazemos do natal a desculpa para rir à gargalhada.

domingo, 23 de dezembro de 2012

...



"Se por acaso me vires por aí
Disfarça, finge não ver
(...)
Depois suspira e diz que esquecer
É a tua profissão!"

sábado, 22 de dezembro de 2012

Embrace yourselves winter is coming

«O Inverno chegou, o fim do mundo não se deu e voltei à paz com o Burro que quis ser Cão da Pedra. Partiu-se muita coisa pelo caminho e não vai ter volta, mas pelo menos a minha raiva foi embora com o Outono.
Deixei lá trás porque o meu coração está mais calmo, menos pisado e menos importado com o que vem rodopiando em torno de mim.
Para mim congelei na madrugada de quinta e só volto a acordar quando me apetecer. E ainda não me apetece.  Foi tão bom. Soube tão bem. Senti-me de mãos dadas, sem tocar nele.
Foi fácil de estar, de rir, de falar, de olhar-lo. As curtas foram demasiado longas e a viagem de carro demasiado curta, mas no fim as horas pareciam paradas... Em pequeninos momentos via-o preocupado e eu tagarela a tentar fazer-lo falar, trazer-lo para longe disso com assuntos para o prender. Falei muito, na volta falei de mais. Quase tudo foi fácil, só sair do carro é que não.»