sábado, 27 de outubro de 2012

uma hora por semana, faz bem à alma

Ela começou em 2007 por ali... ali porque queria fazê-lo mas sem saber muito bem porquê. A motivação era oculta, queremos ser sempre melhor, mas talvez as lágrimas  que a inundaram por causa do MD e o ar marinheiro dele foram o grande impulso, foram a motivação.  A dor de peito, os momentos de profunda angústia e perda que a levavam a suplicar clemência, os dias negros! 
Foi o coração partido, se calhar... E ela precisava de ocupação e começou a procurar... Procurou nela pequenos momentos de "mente ocupada"  e foi com alegrias alheias, com risos, com perguntas, com barulhos, cadeiras arrastar e gritarias onde encontrou paz. 
Começou a apanhar-lhe o gosto de ter o sábado à tarde garantido para eles e de realização para ela. Ganhou-lhes grande carinho!
Hoje agradece-lhes secretamente por a terem segurado num grande momento de escuridão. Foi uma vitória sem saber que lutava por ela. 
Neste mesmo hoje quer mudar ainda mais, quer aprender mais e está mais feliz por ter sido capaz de crescer assim, sem ansiar de mais, sem esbracejar demais. Deixou-se ir, devagar, esquecer-se do que implicava, um degrau de cada vez e lá foi levantando-se de mansinho. Isso nela, degrau a degrau é raro! Sabe-o bem. É raro porque ela é intensa e tem de ser intensa até ao infinito, em tudo, até causar dor de cabeça a ela e aos outros. Se calhar não queria ser melhor mas naquela hora de sábado é mais feliz e realizada, e por isso mesmo é melhor, numa hora por semana, mas é! E o bem que lhe faz é maior!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

estava quase tudo bem

Já ela via como passado. Já ela esquecera na maioria da vezes que tinha sido cortada. Já era quase passado! Queria recomeçar.
Já ela sentira uma vontade de querer perdoar...  e assim como estava quase, ouviu que não! Que o "quase" foi para ela, e para ela também foi o embate com a realidade, como que uma frigideira lhe batesse em cheio na cara, no coração, e assim atirou-a para o chão...
Depois esqueceu a queda por umas horas, mas voltaram-lhe nos silêncios o "estava quase tudo bem", ouvi-o gritar-lhe! Agora quer voltar a fechar a cara e cuspir-lhe por ser mau e por sabe-lo ser sem remorsos.
Mas não sabe! Não sabe se o há-de fazer, porque começa a acreditar que ali, a alma é pequena, e assim sendo, não vale a pena voltar a olhar para o chão.




quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Chove

"Chovia, a chuva caía em lenta agonia, mesmo ao fim do dia" é o que o pai cantarola em dias de chuva. Aposta como anda de rádio na mão a ouvir a "radio sim", de um lado para o outro da casa. Tem o jornal aberto na mesa da cozinha para as vontades da leitura,  a televisão da sala ligada a fazer companhia sonora e o computador ligado para cuscar o mundo. Quando se aborrece de tudo procura a Pi. Falam do banal, do que falta comprar, do que viu na internet, do que leu no jornal ou do apresentador que parece mais gordo. Falam das galinhas, que lhes chove e é preciso darem um jeito naquilo.
A Pi acordou depois dele, de cara fechada, espera que o pequeno-almoço esteja a andar. Depois vem os preparativos do almoço, o arrumar da casa, a lida dos animais. Atura o pai e deixa-o dormir a ver novelas, enquanto ela faz a sopa de letras da Dica. 
Envelhecer assim,  desempregados de responsabilidades, ficar em casa quentinhos numa espécie de felicidade escondida em cada gota que embate no chão. Ausentes ao som do dilúvio, separados pela parede branca, o telhado vermelho e a porta de alumínio da escuridão do dia de Inverno.
E tudo está bem, quando acaba bem!

"Chove. Que fiz eu da vida?

Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!

Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, 'stou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!"

Fernando Pessoa




segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Linhas cruzadas

Vive na encruzilhada é um facto.
Sendo uma conhecedora do domínio semântico da palavra, sabe que está no meio do "ponto" onde várias ruas e caminhos se cruzam. 
Respira fundo e imagina-se lá! 
No meio, no centro daquele "ponto" gigante, maior que ela, na entranhas dos caminhos da vida dela, no coração das decisões boas e más dela, vê os momentos bons e os maus, os olhares bons, os sorrisos bons, só quer ver os bons! Vê as pessoas boas e más: Vê-se entre elas e quanto imperfeita o é! Ali no meio imagina o conjunto de vidas que a rodeiam como novelos independentes. 
Vê os fios à sua volta e imagina-os na mão: O fio do novelo cinzento e tijolo que lá de vez em quando, em algumas quartas-feiras da vida dela, ela agarra e puxa o fio. Sabe que apenas o segura porque quer e que não significa mais do que, 3 vezes por ano sentir-se irresponsável e com 21 anos; Vê o fio azul e vê a forma da bota formar-se, a nuvem de fumo e o sotaque acentuado de quem fala a cantar. Ouve o riso e a palavra característica que vem em todas as frases. Sabe que esse fio já esteve mais perto e por agora não o pode segurar, são tempos de mudanças e essencialmente de crise; Vê o fio amarelado, o mais velho ali, vê-o a olhar para ela com o sorriso que a derrete só de pensar nisso, mas não lhe pode tocar, não pode ser ela, e numa imagem extrema, não pode ser dela...não pode! Suspira e tem a certeza que deixaria de estar no "ponto"!; Vê o fio laranja, sente um arrepio e corre na direcção oposta. Corre em esforço e sentem-se num daqueles sonhos onde quanto mais corre menos se mexe. Desespera! É laranja porque está em chamas e queimou-a uma vez, queimaduras de primeiro grau. Uma segunda vez e ela seria a Sónia Brasão e só implantes de pele a salvariam. Então esse também não pode ser! E lá ao fundo vê um, sabe que não vale muito a pena e por isso, deixa-se estar.
Senta-se no "ponto", cruza os braços e percebe que não há muito a fazer. É esperar e esperar, não sabe muito bem pelo o quê exactamente.  Pode ser que a agulha de tricô escolha o fio que não rebente no lado mais fraco, porque nisso, a justiça é nenhuma e ela começa a fartar-se de arroz.




quinta-feira, 18 de outubro de 2012

change the picture


“ (…) Clearly, something about every one of those choices made you happy. The problem is they don’t match up with the picture you made up in your head about what your life should be... You want to be happy? Change your picture or change your life.”

Wade Kinsella, H.D

rir é o melhor remédio

Sorrisos dela são deles.
São os sorrisos dos outros que lhe agradam mais e o bom humor, devia ser obrigatório ser-se engraçado.
A  atenção vira-se para lá, para o bom humor, quem a faz rir tem-na na mão. Não são os braços compridos, o nariz perfeito, o olhos ou a boca, é o riso, o humor, e o bem que ele lhe faz.
O bom humor ganha aos dois palmos de cara seja de quem for. . O bom humor deixa-a alegre, é o ponto de afinidade dela ao mundo, às meninas e aos meninos... e não há nada lhe lhe fique melhor que um sorriso rasgado e uma gargalhada sentida. Gosta das pessoas pela capacidade de a fazerem sorrir e muito.
Sim, rir é o antídoto dela, o açúcar que ela não tem!