Silêncio. Têm sido dias de silêncio. Quando penso no silêncio, penso que gosto dele. De nós. Eu e ele. E pensado bem, não sou pessoa de muitos silêncios. Mas ele não me incomoda. Normalmente canto quando estou rodeada dele. Canto lengalengas. Não ligo a televisão quando chego a casa porque gosto de estar “acompanhada". Até gosto de chegar a casa e ter silêncio. Se estiver cansada do silêncio gosto mais de ligar o rádio. Mas nem sempre me lembro. Ou nem sempre tenho vontade. Ou canto sozinha, para o silêncio. Ou estou só a fazer coisas em silêncio. Eu e ele. Ou só eu. As pessoas vêm como uma pessoa cheia de barulhos. Falo e riu alto. Canto alto. Penso alto. Resmungo alto. Dou muitas opiniões. Sempre do alto. Às vezes do meu pedestal. Há quem me chame snob. Juro que é mais forte que eu. Não gosto de o ser. Há barulho em mim. As pessoas vêm barulho em mim. Santiago tem sido silencioso. Viver sozinha assustava as pessoas que me rodeiam. Assustava-me a mim. Mas ao mesmo tempo era como se o silêncio me chamasse. Viver com os pais. Ter folclore à terça-feira, jazz e ballet à quinta-feira, a catequese ao sábado, GMP ao domingo... e todas as reuniões e atuações que advinham das mil atividades que vivia. Sim. A minha semana era barulhenta. Às vezes, quando ficava sozinha, ficava inquieta por me ser estranho e aliviada por ser preciso. Nestes últimos dia há muitos silêncios. Sou eu e a casa. Ou só eu. Não me custa. Às vezes canto. Às vezes ligo a TV. Às vezes leio ou falo por mensagem, no silêncio. Eu e ele. O silêncio. Ou só eu. Somos um!
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
terça-feira, 10 de janeiro de 2017
O Caminho faz-se caminhando
Mudei-me.
Estou bem. Não estranhei a cidade. É verdadeiramente estranho como me sinto bem aqui. Lembro-me do choque que foi Gent no dia que cheguei. Na semana seguinte e durante o primeiro mês. Era tudo estranho. A língua. A postura dos Belgas. Calados e sérios. O corpo deles. Muito altos. As bicicletas por todo o lado. Neve. Muitos árabes. Era tudo diferente da aldeia de onde eu vinha. Sentia-me sempre desconfiada. Ainda corri algumas vezes de pessoas que me tentavam abordar.
7 meses depois, no dia que tive de voltar, chorei. Chorei muito. Adorava as pessoas que viviam e conviviam comigo. Adorava a cidade. As bicicletas. A cerveja. O pão dos árabes, e a galinha assada deles... e até a forma estranha de me olharem.
Passaram quase seis anos desde então. Estive em terreno seguro. Estive na zona de conforto, de cabeça enfiada no melhor que a minha terra tinha para oferecer. Estive sempre muito mimada e aconchegada. Cresci muito. Aprendi a ser mais simples. Aprendi a gostar das coisas como são.
Mudei. Mudei-me. Mudaram-me.
Agora é tempo do el Camino. Santiago de Compostela, a 200 km de casa, um pulinho.. é o que dizem. À primeira vista tudo me parece igual. Sinto-me igual. A cidade é bonita. Caminho todos os dias 20 minutos entre o centro histórico e um jardim. Mui bonito o passeio. Tranquilo. Percebo a língua sem grande esforço mental e as pessoas parecem-me mais familiares. Os galegos são simpáticos, de sorriso grande. Sinto o meu corpo mais relaxado. Sem desconfianças. Sinto-me um pouco em casa. Não tenho muito aquele drama de quem se muda. De estar muito sozinha. De não conhecer ninguém. Sinto que vai ser mais fácil que na Bélgica. Tento sorrir e mostrar-me acessível. Faço "fingers crossed" para me convidarem para almoçar ou uma cerveja pós-laboral. Na Bélgica levou quase um mês, vamos lá ver como se saem os Espanhóis.
"Caminante, no hay camino, se hace camino al andar.", Antonio Machado
sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
Suis-moi
É Natal... E ás vezes acho que não é transversal. Não trespassa o coração de todos. E é estranho. Quem não quer mais um motivo para ser estupidamente feliz, só porque sim!? Eu, eu, eu!
Vemos e sentimos cada pedacinho do Espírito de Natal de uma forma bem enraizada naquilo que somos e como vivemos. Esquecemo-nos de aproveitar o melhor que temos na nossa vida, os outros e a felicidade que existe entre nós.
Temos quem viva o Natal de óculos escuros. Só para parecer mais negro do que é. O Natal de quem se recusa a saber o que é Espírito, quanto mais de Natal. Temos os que vestem o Natal de comida e bebida. Há quem aproveite a quadra para se sentir miserável pelo infortúnio próprio, ou do mundo... mais próprio, mas porque Natal não é egoísmo, apontamos para o mundo.
Para muitos é família e ajuntamentos. Jantares, troca de prendas e risos. Laços, muito laços! Não só de embrulhos. A cada laço de embrulho rasgado, lá no nosso coração um laço de amor é criado. Pequenino o suficiente para a azafama de Natal o tapar no meio de tanto embrulho.
O Menino Jesus, o Pinheiro e as Luzes são sinal de renascimento. Da luz pequena que brilha em nós a cada dia que nasce. E nós perdidos no stress e no meio de tanta correria deixamos que brilhe pouco.
Por isso, penso muito no que é para mim! E porque me aflige trombas e discussões no Natal.
Porque para mim Natal é música! É cantarolar e bater o pé. Saltinhos e rodopios ao som da música imaginária na minha cabeça! A vida é tão bela com a banda sonora certa!
É alegria de fazer rir os sisudos. É abraços de Natal, quentinhos e apertados.
É ver as pessoas a tentarem serem melhores, nem que seja de 24 a 25, suportarem-se pelos outros. Estão lá a tentar, a procurar no meio das folhas dos presentes a vontade de ser Humano. Bom.
Natal é aproveitar o amor que temos pelos outros e mostrar que queremos saber deles. Que os conhecemos. E não há nada melhor do que nos sentirmos verdadeiramente 'lidos'.
Natal é tudo que um Homem quiser. E eu acho que temos de querer ser Mais! Suis-moi!!!
"There are a few things in life we can’t ignore…
The pursuit of love
A longing to connect
The inevitability of death
And the ever so abundant reality of choice.
Each and every day
We choose what to wear, what to eat, what to ignore…
And what to see.
As creatives, we’ve decided to occupy ourselves, not so much with what we see…
But rather how we see
How we notice the every day
How we approach beauty
How we recognize the absurd
And how we look for the forgotten.
All in all, here’s what we know to be true:
We see the world differently.
We understand design changes our experience.
We know stories shape us.
That wonder awakens us.
And the only way that tomorrow will be better than today…
Is if we help others see possibility more clearly.
And this is why we make creative matter.
This is who we are. This is what we do. This is our story."
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Have yourself a merry little Christmas
A verdade é que quanto menos tempo menos escolhas. Menos 'ses'. Menos tu e eu. Menos ambos. Menos suspiros. Mais unhas ruídas. Mais dores de costas. Mais cansaço. Mais pessoas. Mas menos pensamentos estúpidos. Menos só.
No Natal corro sempre muito. São os fatos de Natal dos pequenos e a festa. As compras. As crianças e e os jantares. Estou sempre sobrecarregada. Fico zangada. Insegura.
Estou um pouco só... Estou no Natal.
Uma cambada de gente que me consome a paciência. Sonhos estranhos com o I. que me deixaram desconfortável. Um pouco desiludida com o A. Cansada da luta do J. De remar para lado algum com o gmp. Sinto-me calada. Com medo de Espanha. Com medo de ficar com tempo. Vou ficar sem o Ballet, sem o Jazz, sem o folclore, sem as músicas velhinhas. Sem o pai e a mãe, sem a S e a B. Vou ficar longe. Vou gramar com viagens de comboio ou com um volante na mão e o rabo quadrado. Vou ter de falar Portunhol e cozinhar todos os dias. Vou ter tempo para mim. Vou recomeçar tudo outra vez.
oh oh oh... Have yourself a merry little Christmas.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
A Bela Adormecida
Nunca foi o meu tipo de princesa. Sempre choquita, menina dos papás, de rodopiar sobre si com o mundo ganho a seus pés. Mas bem, era uma princesa e eu sei a história dela. Foi o meu primeiro filme no cinema e por coincidência ou não, o meu primeiro espectáculo de ballet.
Não foi um mau presente. Pelo contrário. Foi um presente bonito e pensado. Juro que gostei. Dois bilhetes caros para um espectáculo de Ballet no Coliseu do Porto. Que pinta!
Ardeu-me um pouco na palma da mão assim que o recebi. Eram dois bilhetes. Teria de levar alguém. Alguém com mais de 25 anos e menos de 40. Homem, hetero e que eu quisesse guarda-lo para mim. Diziam elas divertidas. Acrescentaram que não podia ser meu familiar. E que o tempo urgia. Sorri. Queimei alguns sorrisos meus, interiores. Não tinha ninguém para o bilhete. E em dois meses não iria desencantar ninguém. Era certo. Tão certo que não arranjei. A verdade que do 10 de Outubro até sábado passado, os bilhetes queimavam-me na mão. Causavam-me desconforto e não sabia como resolver aquilo. Convidei o J. Sabia que ia levar o 'não posso'. Era o único que gostava de ter levado. Não dava. A vida separou-nos fisicamente há muito tempo. Mas se era o único que queria levar... bem, foi o único a quem perguntei se queria o bilhete. Remoí mais uns dias aquilo. Senti saudades do R. De certeza que iria comigo. Arrastei "o que fazer com os bilhetes" até não poder mais. No fim-de-semana anterior pensei em convidar o I. Mas sabia que podia passar a mensagem errada. E isso não é bonito. Usar pessoas para não me sentir só, não é uma coisa que eu pratique ou aceite.
Decidi levar a minha sobrinha. Adolescente, 13 anos. Calada! Fã dos One Direction, Youtubers e Minecraft.
Correu bem, foi uma óptima companhia! Não estava à espera. Quase como o pai dela. Fala pouco mas o certo. Faz companhia sem cansar. Não me custou nada passar o tempo com ela. Foi smooth e alegre.
Só não apagou o sentimento que sou incapacitada de levar uma vida 'normal' para uma mulher de trinta anos. Sou tosca. Um pouco sozinha. Não sei emparelhar com ninguém do sexo oposto. Sou analfabeta na linguagem do amor.
Mas mostrou-me que tenho sempre alguém que me sorria e me dê a mão.
No final do dia, fui singelamente feliz.
Continuo na paz da minha caminhada.
Porém, detesto cada vez mais a Bela Adormecida, que entrave ao meu (des)equilibrado jogo de emoções.
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Bridget Jones
Eu juro que a minha vida dava uma "comédia-pós-romântica". De baile. Com banda sonora. Com lágrimas. Sem final feliz previsto. Com concertinas e violinos. De final indefinido ou indeferido. Com muitas temporadas de correrias e amigos.
Podia ser a Bridget Jones (não sei se já o disse em voz alta), mas magra... de resto igual!
Problemas de auto-estima: check; maratonas no sofá rodeada de comida: check; dificuldades em ter relacionamentos, também confere; tendência para quedas em sítios públicos: check; falta de filtro: todos os dias. As nossas vidas se cruzam na estupidez de cada coisa.
Podia começar a contar a história da fotografia do primeiro dia de escola. A camisola do avesso. A saia de xadrez vermelha. As meias-calças amarelas. E o belo do sapato de verniz azul. Isto porque decidi que a roupa que a minha mãe escolhera no dia anterior não era bem aquilo que eu queria. Eu queria ter Swag.
Depois passar pelo meu primeiro beijo, aos 9 anos. Foi junto à fonte da aldeia. Um loirinho da turma agarrou-me e deu-me um beijo à força. Chorei e corri em círculos muito tempo. Quando me cansei, lavei muito a boca na água da fonte, com força. Esfreguei até sair. Depois passei um quilo de bâton do cieiro para me curar daquela doença. O meu irmão João riu-se daquilo durante anos. Sim! Contaram-lhe na escola. Ainda hoje solta uma gargalhada forte quando se lembra disto.
Depois foram anos de escola básica, onde bati num menino com o guarda-chuva porque me disse que eu era feia. Juro que não era. No 9º ano, na viagem de finalistas, mostrei a mama esquerda. Quis mostrar aos meus amigos que o pijama era largo. Num movimento decidido, levantei a camisola (demasiado) e para além da zona da cintura, mostrei a mama. Chorei mil lágrimas. No dia que voltei à escola toda a gente sabia. Havia fotos de rapazes a imitar o meu gesto nos painéis da escola, junto ao bar. Os meus amigos contam e revivem este momento único em todos os jantares de natal. Foi épico para eles. Sou a fornecedora de alegria mais fofa que eles conhecem.
No 11ºano estatelei-me de amores pelo meu coleguinha da carteira de trás. Trocamos músicas e longas conversas e ele trocou-me pela vizinha dele. Chumbei a matemática, com uma dor de pescoço como brinde, de tanto olhar para ele na carteira de trás. Seguiu-se um regime de silêncio e rock deprimente, a reviver músicas que ele me tinha mostrado.
Veio a universidade e um namorado engraçado, que me fazia rir do chão à lua. O mais engraçado foi que me pediu em namoro, a mim e à namorada dele (4 anos antes). Um piadolas. Seguiu-se um regime de lágrimas e rock deprimente.
Fui de Erasmus. Rios de palhaçadas e alegrias. Cheguei a ser hospedeira de bordo em diversas bebedeiras.
Curei de amores estúpidos com álcool e pasta. Voltei.
Enverguei pela ciência. A maior comédia de sempre. Voltei ao rock deprimente.
Fiz uma roadtrip com amigas pela Europa. Conheci um bartender que ainda hoje me manda email e acha que vai casar comigo... Diz que vai comprar um terreno em Portugal. Quer viver no campo. Socorro!
Namorei com um laranja que gostava demasiado de jesuítas. Levei um chuto tão grande que a minha barriga colou-se às costas e perdi 10 quilos.
Juntei-me ao folclore. A comédia. Pessoas que tornam a minha vida num video hilário da "Porta dos fundos". Zero amores. Mil risos.
Organizei o congresso e contracenei numa comédia negra. Fui demasiado rock star. Gostei. Senti-me na primária com a roupa aleatória que não combinava. Swag! Mas.. muita uva, pouca parra.
Depois vieram os casamentos que não fui convidada. Poré, fui notificada para apadrinhar as despedidas de solteiro. Mixórdia de temáticas.
Ainda tive tempo de ir aos Açores levar um pontapé no cu da amizade de décadas. Afinal quando se namora não se tem amigas, aprendi uma lição, sem anel de rubi.
Pelo menos ficou claro que levar pontapés no cu é transversal... não se fica por portugal continental, também se estende às ilhas... e ainda bem, detesto limitações no que toca a pontapés.
Mais uma voltinha na comédia das comédias: o TP disse que me viu numa praia. A mais louca frase de engate que ouvi até hoje.
Vou andando louca entre homens mal resolvidos e uma neblina de coisas que não entendo.
Acho que a Bridget Jones está grávida... Os loucos estão certos.
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
Volta!
Preciso que voltes. Que venhas comigo a concertos. Preciso de ti e da tua companhia. Não precisamos de trocar segredos. Só se quisermos. Tenho saudades de te ver. E tenho dois convites para o Ballet e sei que virias comigo e irias gostar. Porque és como eu. Gosta do mundo e de tudo que ele tem para oferecer. Quero que voltes. Eu sei que não gosto da maneira fria e racional como vês as pessoas. Que tudo seja um jogo de Xadrez. Não gosto de jogos com peões. Mas gosto da tua companhia. Do teu gosto moldável. Gosto da maneira de como sou tua amiga. Fácil, sem jogos de pões. Sem isso de querer agradar, impressionar, de ficar derretida ou pequena.
Sei que estou meia apaixonada pelo que não é possível. Sempre. É uma condição de ser-se Eu. A indecisa e a apaixonada por desatinos... Tu sabes que sou assim.. E não faz mal, eu sei que não. Eu sei. Eu sei que me vês mais clara que outros.
Juro que não sei porque o deixo falar-me. Porque o deixo saber de mim. Não é um bom caminho.
Por isso volta. Sei que ter-te como amigo faz-me bem. Volta. Tu fazes parte do meu bom destino.
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