sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Només #1

«Tinha uns olhos tristes, pele escura do sol e a vida dele podia ter sido a servir no El Rey de la Gamba 2 para sempre. Provavelmente poderia ter visto passar por ele milhares de turistas, desde do extremamente simpático ao mais arrogante e superior de todos. Poderia passar-lhe certamente pela história de vida o cliente indiferente a Paella, o amante de Paella e mesmo aquele que não se atreveu a experimentar. Mas não passou a vida ali, num restaurante costeiro, um restaurante para turistas provenientes da praia, com restos de areia colados no corpo, chinelo de dedo, biquíni de fora, cabelo desalinhado e cheiro de protector solar e sal do mar mediterrâneo. Clientes com fome, incapazes de discernir se era aquela a melhor refeição do mundo ou se era a fome a falar. Mas a história não começa aqui, Només deixou esta vida para outros, e agora sentado a comer Patatas bravas vê-se com pele menos queimada, menos caliente. Vê-se menos només.
Chamava-se Alejandro, Javier, ou Ramon, para a falar a verdade, foram os olhos dele que fizeram a história que viveu, o nome pouco interessou, na realidade poucos os sabiam, pois não faria diferença nenhuma nos trilhos que ele colocou os pés, nas opiniões em que ele lançou a voz, nas acções em que ele decidiu dar as mãos e os braços. Nasceu em finais dos anos 60, nasceu quando o Mundo começou a sonhar mais alto com a chegada à Lua, sim, nasceu com motivações de evolução mas, nasceu no Franquismo, num Franquismo menos agreste é certo, mesmo assim, nasceu sem o livre grito de Ipiranga, nasceu numa Espanha ainda mergulhada na ditadura. »

E tudo o definiu!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Obrigada

E vieram eles, com coisas que ela não estava à espera.
Chegaram com uma hora de adianto, e se calhar foi aí que tudo começou, foi aí que ela começou a sorrir para eles, com adianto! Sorriu porque o adianto foi bom saber que o tinha, ainda que dessa forma. O coração dela ficou quentinho e ancioso, estavam a soar os tambores lá no fundo e ela agradeceu.
Deixou-se dormir e esperar pelo dia em que ia distribuir beijinhos, obrigados, sorrisos, bolo e sumos.
E ele chegou! Abriu a porta a mando da mãe e viu-os, pendurados, agitados pela ver, ou pelo vento. Sabia bem quem tramara tal sorriso e aperto no coração. Riu e pensou nelas, teve a certeza, era delas aquele sorriso e agitação. Guardou o momento e foi um a um ler coisas indecifrável ao olhos de todos, mas delas não. Para elas fazia tudo um sentido único de cada momento juntas. Sim, são elas as pessoas dela, a metade da laranja!
Viu a mãe babar-se de alegria e o pai olha-la com orgulho. Viu dançarem para ela e sentiu o abraço sentido. Viu a folha de pernas para o ar a desejar-lhe os parabéns. Viu o origami na mesae e a bolacha holandesa com uma carinha a sorrir-lhe. Viu os sorrisos de quem a vê virem na direcção dela, abraça-la e beija-la. Recebeu mensagens e ouviu as vozes de quem se preocupa em se fazer sentir presente, ali ao lado ou mesmo a 2300km de distância no país da máfia .
Ouviu os parabéns e alegria de quem os canta, da satisfação de comer bolo e beber sumo.
Viu o dia sorrir-lhe e ela fez questão de sorrir de volta.
Viu o esforço da mãe, em poupa-la, ser mal sucedido num bolo mingado, sorriu-lhe e pôs as mãos à obra. Fez um novo bolo para os seus depois do jantar cantarem-lhe iluminados por velas teimosas, que deixaram a cozinha numa algazarra.
Viu um candeeiro  manuscritamente decorado com frases de grandes mentes. Viu o esforço de quem a ama querer agradar. Viu aqueles que a viram crescer bater-lhe palmas e os que ela vê crescer beijar-lhe as faces.
Viu-os ir e ficou feliz, afinal eles vão mas voltam sempre.
Viu-se feliz e reconfortada, é bom sentir a idade, nem que seja por um dia.
Agradeceu por ser amada!

Oscar Wilde


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Strokes: Someday


Estamos em contagem decrescente e ela acha que nada mudou. Em boa verdade é real, nada mudou! Veio de viagem com isso na bagagem. 
Ocorreu-lhe na viagem, nas longas horas encolhida num banco, de phones nos ouvidos, sapatilhas a matar-lhe os pés e sem posição para embalar no sono. Ia a ouvir a playlist, de alguém que salta de estilos mas nunca deixa de se derreter com o mais doce que o Folck tem para dar, e enquanto balançava com Flapper Girl, ao mesmo tempo tentava ignorar que haviam mais 30 pessoas a escassos metros e que todos eles respiravam o mesmo ar e inundavam-no de pensamentos, ou não, porque há pessoas que se deixam ir, sem tempo de se dedicarem a elas ou à música, principalmente a si mesmas. No meio de tanta coisa incomodava-a muito escolhas musicais, pois ela não entende como a MegaHits pode satisfazer o coração de quem seja. 
Bem, tem a certeza que algumas pessoas dedicaram 4:30h à tv7dias, ao José Rodrigues dos Santos e os seus livros de histórias pontuais, leitura fácil mas bem sucedidas e à paisagem pouco interessante que a A1 tem para oferecer.
Mas ela não! Ela processou o último ano, ela analisou-o e esmiuçou os momentos de viragem, os momentos de alegrias, risos e os momentos de lágrimas, descobriu-os e aceitou-os. 

Lá ia de mãos dadas com o compasso de cada melodia e a cada mudança de faixa a mudança tema era natural, e ela abraçava assim instintivamente os 4 minutos e pico, ouvia cada palavra, murmurava-a e trazia-a a todas as memórias que se associavam e que vinham ao encontro das entre-linhas da música de um alguém desconhecido que fazia sentido deste lado, neste ouvido dela.  
Assim que entraram os Snow Patrol lembrou-se deles em frente ao palco, ela ás cavalitas dele à procura dela, onde ela poderia estar! Lembra-se de a ver. Lembra-se da agitação de a ver chegar. Lembra-se de Run e como foi bom de ouvir. Lembra-se de ter adorado e da satisfação que foi. 

Quando os The kooks começaram abanou a cabeça, não havia muito para ouvir ali. Não naquele momento! Era banda de verão e estamos na estação dos primeiros arrepios de frio, do calor de um casaco ou do raio de sol entre as nuvens, no tempo do chá e das meias felpudas. 
Parou, mudou para Mi Amigo dos Kings e fechou os olhos, deixou Lisboa para trás e o bom que foi. Esqueceu o Bairro Alto, o Castelo e a Praça do comércio. Esqueceu a Baía de Cascais e o Rossio. 
Deixou a terrinha envolve-la e fazê-la sentir em casa mais uma vez. Partilhou o relato do clube dela  na volta e sorriu à partilha de vidas na viagem de ida. Sentiu como conhece tanta gente de coração tão diferente do coração dela. Gostou de saber que há tantas maneiras de ter um coração.  

Foram dias de Mi Amigos!
Missis Freckles vem serena: é o tempo, não a idade!

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

mini mini relax

Cão, vou a Lisboa. Quer dizer, se a greve não se meter no meu caminho. Vou de auto-bus, lá terá de ser, a CP está de grave, outra vez!
Vou passear, conhecer Lisboa e socializar.
Ora o meu conhecimento geral sobre a capital é pequeno, bastante pequeno, portanto à que alargar horizontes, dentro do país!
Lá vou eu pronta para alegrar a vistinha na capital e preparar-me mentalmente para deixar o 1/4 de século para trás. Envelhecer faz moça na alma.

«Pronto, não falemos mais nisso!»


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

alt-J (∆) Breezeblocks

«Sem perder muito tempo, sem gastar muita energia, sem grandes esforços pensou na necessidade que teve ele em definir alguma coisa para ele, que pretendia não comprimir, mas que a consciência o exigia. 
Definiu que ia respeitar-se, que iria pensar mais nos outros sempre que algum passo dado por ele fosse interferir na liberdade do outro e pudesse, sem ele o tencionar, magoar outrem. 
Sabia-o! Pensou-o como plano de contingência sempre que sentisse que estava a colocar a cabeça na forca ou a cabeça do outrem debaixo do sapato dele, aí ele accionaria esse dispositivo mental criado sem esforço, denote-se!

Ora, o plano de contingência é utilizado quando o dito "ordinário e quotidiano" deixa de ser rotineiro, aí, o outro (também normalmente mencionado como Plano B) é accionado, vem para primeiro plano e passa a ter o papel principal.

Visto que não gastou muito tempo nem energia, e ainda por cima era um plano de contingência, não podia estar consciente em si, nem verdadeiramente pensar que isso era a solução! Se achou, bem... terei de afirmar: era burro!
Visto que falo de mim, um pouco mais novo e menos maduro, considero que pensei com maturidade e agi com a falta dela! Afinal 25 anos, o que são eles? São 1/4 de toda uma experiência possível num século. São 25% de uma aprendizagem com hormonas a dominar 50% do total dessa existência.  
Ora, ninguém consciente em si pode acreditar que com  25% de vida dominada por oscilações graves de hormonas, alguma coisa possa funcionar em velocidade cruzeiro, em plena realização, em consciência!
Vejamos porém que a consciência e o bom senso estão lá, mas são o plano de contingência, não o plano de acção!
Desfraldar leva tempo, mesmo que por muito insistam... crescer também!»


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Només, o contador de histórias



«Confessou-me que gostava da ideia das histórias e cantigas de boca em boca, onde as pessoas se permitiam a acrescentar um ponto. Esse ponto era muitas vezes reflexo do momento de cada estado de espírito.  Ora se o contador de histórias daquele instante acrescentasse um ponto feliz, era a felicidade que reinava no seu coração. Assim as histórias eram um mapa da alma de cada contador. 

Ela sempre que as ouvia ficava a deliciar-se em cada pormenor da história e a permitir-se imaginar uma vida paralela que levou aquele trecho da história. Era muito mais belo perceber o coração de quem conta com o conhecimento que tem. No fim um conto era uma soma tão grande de vivências que era muito mais rica daquela dos livros, que é transcrita mas sempre da mesma forma, nada muda e apenas representa uma perspectiva, uma sabedoria, uma alma, onde está a piada disso?

Depois deste raciocínio respeitei-a mais, era de facto uma versão interessante. Era bonito da parte dela ver para além do que nos é mostrado. Para mim a história de um livro era aquilo que fazia sentido. Mas aplicando a visão dela a um livro, como “O Principezinho” fazia sentido que a posição dele fosse mais real do que muitas vezes o é, pois a pessoa que fosse ousar dizer que “tu és eternamente responsável por aquilo que cativas” teria mais consciência do quão difícil isso o é. 

Essa mítica frase seria dita de uma forma menos profunda, mais dura e mais real. Se fosse eu que a transcrevesse nesta minha fase da vida, diria que “és responsável por aquilo que cativas enquanto o conseguires, porque não podes tentar ser tudo para todos e vais perdendo as pessoas por isso, por não saberes medir as necessidades delas, a verdadeira responsabilidade é ser responsável e consciente daquilo que vales”. 

Depois alguém ouviria a história e perceberia que eu estava uma confusão e na minha alma havia uma grande busca dos valores que eu queria que fossem meus, e sentiriam empatia por mim aqueles que experimentassem como deles as minhas dúvidas e indiferença os confiantes em si mesmos.

 Aí os confiantes iriam omitir as minhas dúvidas e colocar as certezas na história e os confusos iriam aprofundar as minhas dúvidas e a história iria seguir dois rumos. 
Que bela visão do mundo da história e das pessoas. Sofie, nunca te irei esquecer por isto!»

Colada Snoopy, colada!

Fiquei colada Snoopy, é a forma de escrever, Snoopy. É a realidade da história nada ter a ver com a realidade dos personagens! É a imaginação do espaço ser perfeita Snoopy! É belo!
Queria escrever assim, belo e estranho! Senti-me a Weird Freckles outra vez enquanto lia numa rapidez doentia de quem pode deixar de respirar, desde que goste! Belo Snoopy, belo! Senti-me na nuvem mágica da imaginação, deixa a casota e anda cão!