quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Spoiler alert

E foi vê-la ali. Foi exposta ali no mural, comigo ali identificada:  «"As relações são momentos de inspiração humana"». Não, gritei eu em modo mute
O medo da crítica, dos risinhos instalaram-se. 
Bolas, pensei eu. O que é que lhe deu para me expor assim? Escrevi aquilo numa aula, numa brincadeira, em cinco minutos. Deitada no chão. De cara de gozo estampada e imaginação ligada. Não era para ser sério ou bonito. Era para ser feito em cinco minutos. 
É cru, mal trabalhado, é incompleto. 
Há tanto para dizer sobre relações. 
Há mais e melhor que possa ser dito, ilustrado, sentido e imaginado.
Só sei que mudei de cor, entre vermelho, azul e roxo. Não estava preparada. Nunca vou estar. 
"Essa não és tu", disseram-me por aí. "Me-do" respondi eu.
Lili, sua spoiler! 


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

e o amanhã veio hoje

Não sei muito bem quem me convenceu a ouvir Jack Johnson. Não sei quando comecei a ouvir. Não sei porque ouvi, acho que não sou fã. Já me cantaram Angels, um corista. Deixei de ouvir essa música e passei a ignora-lo, corista! Sempre que ouço na rádio que irá passar a seguir, faço cara de enjoada. Não porque ache a música dele desagradável, não é isso, é com tranquilidade que acabo por ouvir, mas é como comer batatas cozidas, sabe-me sempre a pouco, mas no Natal sabe verdadeiramente bem. Depois lembro-me de Angels e faz-me confusão estragarem-me a música.
Continuando, não sei como aconteceu, ouvir Jack Johnson, mas aconteceu de tal forma que esteve muito tempo entre a minha música, o CD inteirinho e mais, percebi hoje que o ouvi muito... Sei cantar tudo! Isso ainda me faz mais confusão. Quem era eu em tempos de Jack Johnson? Lembro-me de ouvir outra senhora do mesmo género dele, da qual já não sei o nome. A Bessa ouvia, na volta foi ela me convenceu, ela era realmente parolinha neste tópico.
E que raio me deu para o eliminar da minha playList? E pior, que raio me deu para o voltar a sacar? 
Ontem voltei a ouvi-lo, hoje saquei-o. Quem és tu Freckles? Quem és tu...



«Bem, e o amanhã veio hoje! Com música estranha, mas pelo menos voltaste!»

domingo, 13 de janeiro de 2013

Modo de fuga: activado

Preciso de me proteger de mim mesma, porque costumo ser eu que entrar em auto-destruição. Desta vez não me apetece. Vou só ali para o canto e fugir das mariquices. Volto quando a dor de cotovelo passar. Pode ser já amanhã, afinal é tudo uma questão de perspectivas.

"There is another world. There is a better world. Well, there must be. Bye bye"


pesadelos

Sonhou que eram engolidos pelo que pareciam areias movediças. Sentiu que perderam o tempo, a oportunidade de serem épicos. O tempo engolia-os, como castigo de quem hesitou por inúmeras razões, mas nenhuma delas foi válida para o tempo. Agora eram enterrados ali, porque nunca realmente ele a quis e ela quis de mais. A ele, areia afundava-lhe os pés. A ela caía-lhe em cima, caía entre eles. Estavam numa ampulheta do tempo e ela saltou, agarrou-se para ir com ele. 
Ocorreu-lhe que saltou sem saber-lhe a cor dos olhos, castanhos talvez, por medo nunca os olhara e agora era tarde. Nunca o beijara como nos filmes, e agora já era tarde. O olhar dela olhava-o, a ser engolido pelo tempo, e mesmo assim, ela agarrada a ele, sentia-se sem ele.
Acordou quando o tempo, a ampulheta acabou. 
Não foi o primeiro pesadelo dela,  mas abalou-lhe a alma.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Rise

Ao que parece não tem muito para dizer. Não há motivação no geral. Coisas más acontecem. Ponto. Conformou-se. Cruza os braços. A ideia é deixar de se importar. Ser um ser ordinário, comum e sentir mais a música. Sentir mais o sol, quando ele resolver aparecer. Sentir aqueles que alinham nas loucuras, que riem das piadas mais secas que há memória, aqueles que gostam de nós. Ponto. 
Por isso deixa-se ir pela rotina, quer esquecer o resto. Quer esquecer que tem sonhos transcendentes, mágoas persistentes, arrependimentos pontuais. Não lhe apetece pensar mais neles. 
Apetece-lhe dançar no quarto, escrever no El Rey de la Gamba 2, ver filmes quentinha entre cobertores, pensar na bricolage que quer terminar antes do verão e no tricô, antes do fim da primavera. 
Não quer pensar em conquistas, não mais. Só em ser conquistada. 
Quer ver-se livre do peso da sociedade dos outros, não a dela. A dela é muito mais fixe, mas poucos a conseguem ver. 
Se não é para agarrar com as duas mãos, para ser inteiro, para querer, não adianta voltar. Aqui a intensidade é o trunfo e viver é obrigatório.  

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Batata Frita

Da última vez que Batata fez um ultimato,  fez-lo declaradamente. Informou! Quis fazer perceber ao ultimado que era tijolo ou amarelo, não podia vestir as duas camisolas. Uma semana. Fez-se vida normal, ele com as duas camisolas, uma por cima de outra passeava-se com alguma preocupação e muita tentativa de demover Batata. Batata passou uma semana a mostrar que tijolo era de longe a cor que lhe assentava melhor, na pele dourada dele.
Uma semana e ele decide, pressionado por Batata, apontando-lhe o limite. Ele grita: Amarelo. 
O ultimato tinha regras, a maioria nunca se cumpriu, mas foi o amarelo que ele usou sempre e continua a usar.
Batata, bem, saiu frita da história e decidiu odiar amarelo e tijolo para sempre.
Desta vez o ultimato foi de pantufas proferido a ela mesma. Batata pôs um primeiro limite, que saiu furado, temeu o limite e quebrou-o.
O segundo limite é hoje e ela sabia lá no fundo que era amarelo que iria ser carregado ao peito, amarelo ganha sempre, dizem-lhe as raízes dela!
No fim, já se tinha preparado: a casca, que ia ser retirada e lançada às galinhas, e elas ferozmente vão bicar sem compaixão, tinha sido aconchegada e o resto deixou-se ir, conformado. O óleo está a mira-la, quente já a aguarda-la. Como lá no fundo da sua essência de tubérculo o pressentia, por via das dúvidas, pré-aqueceu o óleo a 180ºC, para não custar tanto.
Batata tijolo é melhor cozida, mas não há forma de dar com o caminho. Hoje é batata frita!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Fado 2013

As resoluções para 2013 são mais do mesmo, o cliché que qualquer zé ninguém, do Obama ou mesmo do vizinho Jerólimo: Todos ansiámos mais e melhor.
Claro que cada um de nós mesmos, no seu mundinho tem as suas expectativas, esperanças, desejos, sonhos, medos... como disse: clichés que contados sem nomes ou referências, devem passar todos no meridiano: ser feliz!
De tal modo que Freckles meteu  férias para sentir-se começar mais folgada, dormir o que tinha perdido com a agitação de fim de ano e acima de tudo: Férias! Basta dizer: "estou de férias!", é o suficiente para esboçar um sorriso parvo, para ter motivos para relaxar um bocadinho.
Não vai abrir a boca sobre os clichés mais secretos camuflados pelos pontuais bocadinhos de felicidade.
Já dizia a Amália: "nem ás paredes confesso" e mais, a senhora de tão sábia que era, tinha toda a razão quando o dizia:

"Recordações de calor
 E das saudades o gosto eu vou procurar esquecer 
Numas ginjinhas
Pois dar de beber à dor é o melhor 
Já dizia a Mariquinhas"

Então o melhor é deixar o fado para o ouvido.

Assim, decidida estava, mas li sobre o Artur e com curiosidade de gato fui ver se tal como o Artur o óbvio é  agarrar no que não se tem para fazer a jangada de papelão que não flutua. 
Parece que andei desde 2009 a sofrer uma reestruturação e mais, a Sodôna Vera Xavier diz que é grande ano, o ano da Libertação, pois Saturno deixará de me atormentar e Júpiter entrará em cena, dando uma ajudinha.
No final, fazem-se as contas e com vento ameno da névoa da imaginação, a jangada de papelão irá navegar ferozmente no oceano de sardas e pele branca,cabelo castanho e sorriso fácil.
De olhos fechados vai deixar sentir o fado banhar-lhe os ouvidos nas ondas salgadas de um ano ainda de dedos enrugados e olhos fechados, que nada deixa prever.