quinta-feira, 18 de outubro de 2012

change the picture


“ (…) Clearly, something about every one of those choices made you happy. The problem is they don’t match up with the picture you made up in your head about what your life should be... You want to be happy? Change your picture or change your life.”

Wade Kinsella, H.D

rir é o melhor remédio

Sorrisos dela são deles.
São os sorrisos dos outros que lhe agradam mais e o bom humor, devia ser obrigatório ser-se engraçado.
A  atenção vira-se para lá, para o bom humor, quem a faz rir tem-na na mão. Não são os braços compridos, o nariz perfeito, o olhos ou a boca, é o riso, o humor, e o bem que ele lhe faz.
O bom humor ganha aos dois palmos de cara seja de quem for. . O bom humor deixa-a alegre, é o ponto de afinidade dela ao mundo, às meninas e aos meninos... e não há nada lhe lhe fique melhor que um sorriso rasgado e uma gargalhada sentida. Gosta das pessoas pela capacidade de a fazerem sorrir e muito.
Sim, rir é o antídoto dela, o açúcar que ela não tem!



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A Rush of Blood To The Head

Um visão clara, sem obstáculos, sem um possível olhar incomodo, um inevitável cruzar de corpos, olhares cabisbaixos e mesmo assim a querem olha-la, fazem-na pequena! Eu vejo-a mais encolhida, mais cansada, menos sorridente, sem vontades. Eu vejo-a descompensada. Eu vejo esbracejar interiormente, chorar quando já não consegue mais e ver-se ocupada. Vejo-a atarefada em pensamentos, vejo-a sacudir a cabeça como quem nega o que pensou. Tem movimentos de autista e medos. Sim, tem muitos medos! Medos que pensava vê-los longe e não, estão ali a dois palmos e ela sente-os. Está tristinha a pequena e não consegue mentir por muito mais tempo.
Aí, quando os batimentos forem mais intensos, mais vorazes, menos dela, ela espera implodir no sossego do escuro quarto.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

bolas!

Não é de se queixar quando perde, não é de se sentir menos, não é de se deixar de acreditar que consegue.
Sabe-se e conhece os limites dela. Não sabe jogar xadrez nem damas, não tem estratégia nem visão do jogo que está num tabuleiro monocromático, por isso não se importa de jogar e ver os outros gozarem a falta de jogo dela. Sabe que a esperteza dela nunca vem da ante-visão de nada, não sabe como o fazer. Vem de outro sitio,da capacidade sensorial que tem, ou de outro sitio qualquer, do que lê em geral, do que lhe ensinaram, do que tenta aprender, da familiaridade das coisas e dos acontecimentos mas de ler os outros, isso não! Por isso a derrota no tabuleiro do jogo, pouco lhe diz, porque sabe que não o sabe fazer.
Mas a facadinha no conhecimento especifico ou geral que ela foi amealhando, aí queixa-se! Doi-lhe um bocadinho... Vá, ela diz que é chato perder onde se sabe melhor. Bem, apesar de ouvir que é uma constante num edifício cheio de pequenos génios, não a faz sentir melhor ou pior, não a faz sentir nada! Sente a apatia de uma incerteza que aí vem, e sim: Faz cara feia, sabe que é um jogo de tabuleiro! E nesta espécie de jogo onde é um pião é chato não saber ler o jogo!  



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Només #1

«Tinha uns olhos tristes, pele escura do sol e a vida dele podia ter sido a servir no El Rey de la Gamba 2 para sempre. Provavelmente poderia ter visto passar por ele milhares de turistas, desde do extremamente simpático ao mais arrogante e superior de todos. Poderia passar-lhe certamente pela história de vida o cliente indiferente a Paella, o amante de Paella e mesmo aquele que não se atreveu a experimentar. Mas não passou a vida ali, num restaurante costeiro, um restaurante para turistas provenientes da praia, com restos de areia colados no corpo, chinelo de dedo, biquíni de fora, cabelo desalinhado e cheiro de protector solar e sal do mar mediterrâneo. Clientes com fome, incapazes de discernir se era aquela a melhor refeição do mundo ou se era a fome a falar. Mas a história não começa aqui, Només deixou esta vida para outros, e agora sentado a comer Patatas bravas vê-se com pele menos queimada, menos caliente. Vê-se menos només.
Chamava-se Alejandro, Javier, ou Ramon, para a falar a verdade, foram os olhos dele que fizeram a história que viveu, o nome pouco interessou, na realidade poucos os sabiam, pois não faria diferença nenhuma nos trilhos que ele colocou os pés, nas opiniões em que ele lançou a voz, nas acções em que ele decidiu dar as mãos e os braços. Nasceu em finais dos anos 60, nasceu quando o Mundo começou a sonhar mais alto com a chegada à Lua, sim, nasceu com motivações de evolução mas, nasceu no Franquismo, num Franquismo menos agreste é certo, mesmo assim, nasceu sem o livre grito de Ipiranga, nasceu numa Espanha ainda mergulhada na ditadura. »

E tudo o definiu!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Obrigada

E vieram eles, com coisas que ela não estava à espera.
Chegaram com uma hora de adianto, e se calhar foi aí que tudo começou, foi aí que ela começou a sorrir para eles, com adianto! Sorriu porque o adianto foi bom saber que o tinha, ainda que dessa forma. O coração dela ficou quentinho e ancioso, estavam a soar os tambores lá no fundo e ela agradeceu.
Deixou-se dormir e esperar pelo dia em que ia distribuir beijinhos, obrigados, sorrisos, bolo e sumos.
E ele chegou! Abriu a porta a mando da mãe e viu-os, pendurados, agitados pela ver, ou pelo vento. Sabia bem quem tramara tal sorriso e aperto no coração. Riu e pensou nelas, teve a certeza, era delas aquele sorriso e agitação. Guardou o momento e foi um a um ler coisas indecifrável ao olhos de todos, mas delas não. Para elas fazia tudo um sentido único de cada momento juntas. Sim, são elas as pessoas dela, a metade da laranja!
Viu a mãe babar-se de alegria e o pai olha-la com orgulho. Viu dançarem para ela e sentiu o abraço sentido. Viu a folha de pernas para o ar a desejar-lhe os parabéns. Viu o origami na mesae e a bolacha holandesa com uma carinha a sorrir-lhe. Viu os sorrisos de quem a vê virem na direcção dela, abraça-la e beija-la. Recebeu mensagens e ouviu as vozes de quem se preocupa em se fazer sentir presente, ali ao lado ou mesmo a 2300km de distância no país da máfia .
Ouviu os parabéns e alegria de quem os canta, da satisfação de comer bolo e beber sumo.
Viu o dia sorrir-lhe e ela fez questão de sorrir de volta.
Viu o esforço da mãe, em poupa-la, ser mal sucedido num bolo mingado, sorriu-lhe e pôs as mãos à obra. Fez um novo bolo para os seus depois do jantar cantarem-lhe iluminados por velas teimosas, que deixaram a cozinha numa algazarra.
Viu um candeeiro  manuscritamente decorado com frases de grandes mentes. Viu o esforço de quem a ama querer agradar. Viu aqueles que a viram crescer bater-lhe palmas e os que ela vê crescer beijar-lhe as faces.
Viu-os ir e ficou feliz, afinal eles vão mas voltam sempre.
Viu-se feliz e reconfortada, é bom sentir a idade, nem que seja por um dia.
Agradeceu por ser amada!

Oscar Wilde


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Strokes: Someday


Estamos em contagem decrescente e ela acha que nada mudou. Em boa verdade é real, nada mudou! Veio de viagem com isso na bagagem. 
Ocorreu-lhe na viagem, nas longas horas encolhida num banco, de phones nos ouvidos, sapatilhas a matar-lhe os pés e sem posição para embalar no sono. Ia a ouvir a playlist, de alguém que salta de estilos mas nunca deixa de se derreter com o mais doce que o Folck tem para dar, e enquanto balançava com Flapper Girl, ao mesmo tempo tentava ignorar que haviam mais 30 pessoas a escassos metros e que todos eles respiravam o mesmo ar e inundavam-no de pensamentos, ou não, porque há pessoas que se deixam ir, sem tempo de se dedicarem a elas ou à música, principalmente a si mesmas. No meio de tanta coisa incomodava-a muito escolhas musicais, pois ela não entende como a MegaHits pode satisfazer o coração de quem seja. 
Bem, tem a certeza que algumas pessoas dedicaram 4:30h à tv7dias, ao José Rodrigues dos Santos e os seus livros de histórias pontuais, leitura fácil mas bem sucedidas e à paisagem pouco interessante que a A1 tem para oferecer.
Mas ela não! Ela processou o último ano, ela analisou-o e esmiuçou os momentos de viragem, os momentos de alegrias, risos e os momentos de lágrimas, descobriu-os e aceitou-os. 

Lá ia de mãos dadas com o compasso de cada melodia e a cada mudança de faixa a mudança tema era natural, e ela abraçava assim instintivamente os 4 minutos e pico, ouvia cada palavra, murmurava-a e trazia-a a todas as memórias que se associavam e que vinham ao encontro das entre-linhas da música de um alguém desconhecido que fazia sentido deste lado, neste ouvido dela.  
Assim que entraram os Snow Patrol lembrou-se deles em frente ao palco, ela ás cavalitas dele à procura dela, onde ela poderia estar! Lembra-se de a ver. Lembra-se da agitação de a ver chegar. Lembra-se de Run e como foi bom de ouvir. Lembra-se de ter adorado e da satisfação que foi. 

Quando os The kooks começaram abanou a cabeça, não havia muito para ouvir ali. Não naquele momento! Era banda de verão e estamos na estação dos primeiros arrepios de frio, do calor de um casaco ou do raio de sol entre as nuvens, no tempo do chá e das meias felpudas. 
Parou, mudou para Mi Amigo dos Kings e fechou os olhos, deixou Lisboa para trás e o bom que foi. Esqueceu o Bairro Alto, o Castelo e a Praça do comércio. Esqueceu a Baía de Cascais e o Rossio. 
Deixou a terrinha envolve-la e fazê-la sentir em casa mais uma vez. Partilhou o relato do clube dela  na volta e sorriu à partilha de vidas na viagem de ida. Sentiu como conhece tanta gente de coração tão diferente do coração dela. Gostou de saber que há tantas maneiras de ter um coração.  

Foram dias de Mi Amigos!
Missis Freckles vem serena: é o tempo, não a idade!